#SouDaqui Dona Izalrice

Dona Izalrice Damaceno de Santana, 68 anos, é moradora da Vila Nossa Senhora de Fátima, em Planaltina. Educada e repleta de histórias, a planaltinense dividiu junto a seu marido, João, suas vivências no “berço de Brasília”, como gosta de chamar a cidade de Planaltina.

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Os dois se conheceram em Goiânia, casaram-se em 1966 e pouco depois voltaram para Planaltina. Dona Izalrice conta sorrindo: “eu tava enjoada de ficar aqui e fui lá passear. Aí, vi ‘esse peixe nadando’ e peguei ele no anzol. Aí eu dancei amiga, que quando eu fui ver era baiano igual meu pai!”

Dona Izalrice fala com orgulho da sua família. Ela e Seu João tiveram quatro filhos, mas o casal ainda criou mais nove. “Criei sobrinhos, filhos dos outros… Eu nunca neguei pra nenhum deles que eu não era a mãe e graças a Deus todos me respeitam com muito carinho”. Seu João acredita que fez a coisa certa ao criar 13 filhos: “a gente faz aquilo que Jesus e a vida manda, dá com uma mão sem pedir com a outra”. Hoje, eles moram com o filho de sangue mais novo, o neto de nove anos e o caçula de 18, criado por eles.

A família numerosa não para por aí… Dona Izalrice é avó e bisa, “vovó coruja”, como gosta de se definir.  Ela tem quatro netas, um neto, duas bisnetas e dois bisnetos.

Sobre os sonhos? Dona Izalrice ainda tem alguns para realizar. Se bem que é como o Seu João fala: “o sonho só acaba quando a gente morre, né?”. Um deles é presentear a filha professora com um anel de formatura e uma viagem para ela conhecer o mar. “Eu ficava assim: será qual dos dois eu vou conseguir? E no fim eu não dei nenhum. Esse sonho tá comigo até hoje”.

Num tom saudosista, Dona Izalrice conta das suas origens, do seu passado, dos dias vividos em Planaltina. O Pai é natural de Correntina, Bahia; a mãe é planaltinense “dessa família de Monteiro Guimarães, que é uma das fundadoras de Planaltina, né. A minha avó foi uma das fundadoras, Ubaldina Monteiro Guimarães, que inclusive tem foto dela no museu ainda”, conta.

“Planaltina era uma cidade pequena, aconchegante. O finado meu pai, que se chamava José, conhecido como Cazuza Açougueiro, tinha fazenda, mexia com negócio de gado. Aí quando veio Brasília, meu pai matava vaca, galinha, porco e levava pros peões de lá”.

“Pequenininha” é como Dona Izalrice define Planaltina nos anos de sua juventude… Ela recorda do extinto campinho de aviação da cidade “onde só baixava teco-teco” e da época em que nas ruas andavam porcos e galinhas. “Planaltina virou outra”.

Ela e Seu João gostam da historicidade de Planaltina, dos casarões antigos, da Igrejinha, local onde Dona Izalrice foi batizada. Ela, inclusive, foi moradora de um dos casarões demolidos. “Lá era muito lindo. O quintal era bem grande, passava um córrego dentro dele, a coisa mais linda. Tinha também pé de laranja que eu cansei de catar, descascar e chupar com os pés dentro da água. É cada lembrança gostosa que a gente tem, né? Hoje em dia você não vê seus filhos, seus netos, ter esse prazer que a gente tinha, de subir em árvore, brincar no quintal, cair”.

Católicos, os dois relembram de um dos eventos que eles mais gostam em Planaltina: a Festa do Divino Espírito Santo, que começa esse mês. Dona Izalrice não hesita em dizer que a festa religiosa é uma das mais bonitas para ela, “um ritual que continua, que vem de muitos anos e vai passando de geração em geração. Bom que vai ficando, né!?”, completa Seu João.

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